2014-11-30

A MORTE E A VIDA NO ALÉM.

A MORTE E A VIDA NO ALÉM

I
Para a Ciência Iniciática, o ser humano é um reflexo, uma imagem do Universo e, portanto, tal como o Universo, é composto por regiões, por "corpos" diferentes.
A ciência oficial ainda não admitiu esta realidade, e daí advêm muitos erros, nomeadamente na medicina e na psicologia.
Os hindus dividem tradicionalmente o ser humano em sete corpos, e a maior parte dos espiritualistas aceita esta divisão.
O corpo mais material, e o único visível para nós, é o corpo físico, mas existem mais seis corpos compostos de uma matéria cada vez mais subtil, os corpos etérico, astral, mental, causal, búdico e átmico.
Na realidade, o corpo etérico ainda faz parte do corpo físico e apresenta-se sob quatro estados, chamados éter-químico, éter-vital, éter-luz e éter-reflector.
Por isso, podemos dividir o corpo físico em sete: os estados sólido, líquido e gasoso, e os quatro estados etéricos.
Os outros corpos também podem ser divididos em sete; assim, no astral há três regiões inferiores e quatro regiões superiores, e é nestas regiões superiores que vivem os anjos.
O que é um anjo?
Um anjo é uma criatura imortal feita de uma matéria tão pura, tão subtil que nada de mau ou obscuro pode atingi-la.
Vive na luz, na alegria absoluta, e conhece tudo excepto o sofrimento.
O sofrimento tem sempre origem nos movimentos da natureza inferior que causam distúrbios e perturbações.
Um anjo não pode conhecer essas perturbações porque é absolutamente puro.
Não existem anjos no plano físico, eles só se encontram a partir das regiões superiores do plano astral.
No limite entre o plano astral inferior e o plano astral superior existe uma zona intermédia habitada por seres que estão a aperfeiçoar-se, a cortar os laços com as regiões inferiores, mas que ainda estão sujeitos aos tormentos causados pelas más influências do plano astral inferior e do plano físico.
Por conseguinte, o plano astral é, ao mesmo tempo, o mundo do sofrimento e o mundo e o mundo da alegria; da alegria quando o homem consegue depurar e subtilizar os seus desejos, e do sofrimento quando ele vive demasiado baixo, preso nas cobiças e nas paixões.
No momento da morte, o homem desliga-se do seu corpo físico, mas isso não é suficiente para ele ficar imediatamente liberto.
Podemos mesmo dizer que ele fica ainda mais exposto aos tormentos do que quando estava na terra.
Com efeito, durante a vida terrena, o nosso corpo físico é uma carapaça, uma couraça que nos impede de sentir a realidade do mundo psíquico; mas quando os seres, pela morte, se libertam do corpo físico e ficam no astral sem defesas, arriscam-se a sofrer bastante e a ser muito infelizes.
O Inferno não é senão um estado de consciência vivido muito intensamente no plano astral.
Só depois de purificados por meio do sofrimento é que os seres conseguem, finalmente, sair de lá.
Todos aqueles que mergulharam completamente numa vida de devassidão, de injustiças, de maldades e de crueldades, e que conseguiram escapar à justiça humana, quando morrem vêem-se confrontados no plano astral com todo o mal que fizeram; eles não podem encontrar qualquer refúgio em parte alguma, porque já não têm o corpo físico que os protegia e os insensibilizava, e sentem exactamente os sofrimentos que infligiram a outros seres quando estavam na terra.
Certamente já tivestes pesadelos e reparastes que, na maior parte das vezes, o pesadelo se interrompeu de repente porque acordastes sobressaltados, contentes por vos encontrardes a salvo no vosso corpo físico e dizendo:«Felizmente, foi só um sonho!»
Porque é que acordastes em sobressalto?
Porque, subsconscientemente, vós sabeis que, para vos defenderdes dos seres ou das forças hostis do plano astral, deveis regressar ao vosso corpo físico, que é como que uma fortaleza onde podeis abrigar-vos.
Se permanecerdes no plano astral, continuareis à mercê dos vossos inimigos.
Mas vós deixais esse plano, regressais ao corpo físico, que é espesso, sólido e escapais-lhes.
É exactamente como se fosseis perseguidos na rua e vos refugiásseis numa casa: aí não podereis ser atingidos pelas facas nem pelas balas.
A mesma lei existe em todos os domínios.
Pode acontecer também que, durante as suas meditações, algumas pessoas se desdobrem ou seja, se projectem fora dos seus corpos físicos e, sejam atraídas para as regiões perigosas do plano astral, onde são também perseguidas e ameaçadas.
Então, a primeira coisa que devem fazer é regressar ao corpo físico para se abrigarem.

O corpo físico é uma boa fortaleza, mas se o homem tiver transgredido as leis do amor, da sabedoria e da verdade, quando deixa esse corpo, na altura da morte, é forçado a pagar, no plano astral, por todas essas transgressões.

Isto não é invenção: os maiores Mestres da humanidade sempre o disseram; grandes artistas, pintores e poetas representaram esse mundo nas suas obras; e pessoas clínicamente mortas durante três ou quatro dias, voltaram à vida e puderam contar o que tinham vivido no plano astral.

O Céu permite, que, de tempos a tempos, algumas pessoas passem por esta experiência, para levar os humanos a ganhar juízo, para lhes lembrar certas verdades.

Assim, depois da morte o homem fica sujeito, no plano astral, ao mal que fez aos outros; tem de sofrer por todas as transgressões que cometeu.
Não é que a Inteligência Cósmica queira vingar-se ou castigá-lo; ela apenas quer que o homem tome perfeita consciência de tudo aquilo que fez na terra, porque muitas vezes ele fez sofrer seres sem sequer se dar conta disso, e esta ignorância é inaceitável, impede a sua evolução.

Portanto, a Inteligência Cósmica faz-nos passar pelos sofrimentos que infligimos aos outros para que nós aprendamos bem o que fizemos e possamos corrigir-nos.
O tempo que lá passamos depende da gravidade dos nossos erros.
Certas pessoas, que não cometeram grandes crimes, atravessam rapidamente esta etapa, ao passo que outras passam lá anos em sofrimento.

Depois de ter pago todas as suas dívidas, o homem entra na primeira região do astral superior, onde vive na alegria e no deslumbramento, devido à felicidade que proporcionou aos outros, na terra.

Ele deve viver no astral, também, todo o bem que fez aos outros (ajudando-os, encorajando-os, incutindo neles a esperança, despertando neles a fé ou o amor), ampliado até ao infinito.

Só nessa altura é que ele se dá conta daquilo que fez na terra.

Com efeito, acontece que alguns seres muito evoluídos fazem o bem sem nunca saberem quantas pessoas tornaram felizes, a quantas pessoas levaram a alegria, o contentamento e a vida; elas fazem-no instintivamente, sem pensar nisso.
Mas a Inteligência Cósmica quer que as pessoas conheçam tudo. Então, depois da morte, esses benfeitores têm de ver, de compreender e de sentir todo o bem que fizeram, e ficam deslumbrados com isso.

Depois, eles sobem mais alto, à região do plano causal, onde lhes são oferecidos todos os tesouros, todas as riquezas da sabedoria, onde lhes são comunicados todos os mistérios do Universo e lhes é mostrada toda a beleza das regiões celestes.

Em seguida, sobem ainda mais alto, à região búdica e aí, unidos à Alma Universal, vivem uma vida de felicidade indescritível.
E não há palavras para exprimir o que se passa depois no plano átmico: é a fusão completa com o Criador...
Quando chega a altura de reencarnar*, o homem volta a passar pelas mesmas regiões (átmica, búdica, causal, etc.) e em cada uma delas vai buscar materiais para fazer um "casaco", quer dizer, um corpo cada vez mais denso à medida que vai descendo para a matéria.

Quando chega ao plano físico, na forma de um bebé, não se recorda de nada - nem do que sofreu, nem do que gozou, nem do que aprendeu. Mas está lá tudo armazenado e um dia ele recuperará a memória, se aceitar certas disciplinas e certas regras da vida sob a orientação de um Mestre.

Aqueles que conseguem fazer sair das profundezas do seu ser a recordação daquilo que viveram no além avançam muito mais rapidamente no caminho da evolução.

Infelizmente, a maioria dos humanos estão tão apegados aos prazeres e às paixões da terra que todos esses conhecimentos e todas essas riquezas permanecerão profundamente enterrados neles durante muito tempo sem eles poderem utilizá-los para seu benefício.

Felizes os que conhecem esta realidade e crêem nela, pois não aceitam continuar a viver uma vida medíocre.
Em cada dia que passa, eles querem avançar, progredir em inteligência, em amor, em autodomínio, para se tornarem úteis a toda a humanidade.

Mas voltemos ao essencial: quer acreditemos, quer não, na sobrevivência da alma depois da morte, tudo se regista em nós sem darmos por isso.

Há muito que a Natureza ultrapassou os maiores peritos de electrónica; ela colocou na ponta do coração do homem uma bobina magnética, do tamanho de um átomo, que gira durante toda a vida e que grava tudo.
Quando o homem parte para o outro lado, desliga-se do seu corpo físico mas leva consigo essa bobinazinha.

Os Juízes do Alto convidam-no a contemplar, em silêncio, o filme da sua vida, e ele revê tudo em pormenor.

Sim, ninguém pode escapar a esta lei: na vida tudo se regista, deve-se pagar no plano astral por cada transgressão que se cometeu aqui em baixo e sente-se tudo com muito mais intensidade, porque já não se tem a protecção do corpo físico.
Não há nada mais terrível do que estar nu e vulnerável no plano astral, pois os pensamentos e os sentimentos dos vivos vêm directamente morder-vos, picar-vos, queimar-vos.

Não podeis escapar-lhes.
Mesmo as lamentações e os desgostos dos vivos que deixaram na terra são um tormento para os mortos.

Só quando entrais no plano causal é que já nada pode atingir-vos, estais no centro de um círculo mágico de luz e nada pode franqueá-lo sem o vosso consentimento.
O domínio da alma e do espírito é verdadeiramente extraordinário e, uma vez que estais numa Escola Iniciática, se souberdes ser pacientes e tenazes aprendereis muito.
Mas, atenção!

É meu dever prevenir-vos de que, se vos deixardes atrair por futilidades e renunciardes a esta riqueza espiritual por pequeninos nadas da vida quotidiana, quando partirdes para o outro mundo passareis por estados de consciência aterradores, porque não soubestes apreciar o que é puro, sagrado, divino.
Vós direis: «Mas isso não é grave, eu não assassinei ninguém.»
É grave, sim; o facto de não apreciardes o lado divino não abona nada em vosso favor.

Isso significa que, no passado, vivestes de uma maneira tão deplorável que preparastes para vós um corpo astral e um corpo mental totalmente defeituosos.
Vós retardastes tanto a vossa evolução que agora vos falta um elemento que vos torne sensíveis ao mundo divino, e tereis de sofrer para o adquirir.
*Acerca da reencarnação e das suas leis, ver, do mesmo autor, o capítulo VIII
  de "O homem à conquista do seu destino" (nº.202 da Colecção Izvor, Edições Prosveta) 

OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV

Bonfin, 26 de Setembro de 1975